quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Cada cavadela...


...cada minhoca!
Decididamente, MFL, actual líder do maior partido da oposição, não é política! Pode ser uma excelente tecnocrata, uma mulher decidida e amiga da verdade, sem sofismas e sem a hipocrisia que grassa e galopa por aí, mas faltam-lhe aquelas e outras "matreirices" para que se afirme como animal político.
E não é por isso - muito pelo contrário -, que não votaria nela, enquanto candidata à chefia do governo. A concepção pessoal que tenho da senhora, pelos desempenhos de que já foi protagonista noutros elencos governativos, é que com ela à cabeça dum futuro próximo executivo, sobretudo na vertente social, teríamos mais do mesmo.
Mas é do aproveitamento, que, pessoalmente, considero de política baixa, para não ir mais longe na adjectivação, feito, em passo de corrida, sem prévio aquecimento, por sectores do partido do poder e do seu próprio, para além de comentaristas afins, a propósito da sua frase
"Quando não se está em democracia é outra conversa, eu digo como é que é e faz-se. E até não sei se a certa altura não é bom haver seis meses em Democracia, mete-se tudo na ordem e depois então venha a Democracia", que vou tentar reflectir.
Ouvi. E, reconhecendo a minha falta de traquejo nestas manigâncias do maquiavelismo político, a anos luz de muitos iluminados que julgam de tudo saber, entendi, como muitos, de boa fé, entenderam, que o que MFL procurou transmitir foi de que o actual governo usou de estratagemas nada democráticos para impor as reformas aos médicos, juízes, professores..., função pública no seu todo.
E não teria sido só ela a qualificar o método de pouco democrático, se a intenção do executivo foi de, previamente, fragilizar aqueles corpos profissionais, com alto estatuto em qualquer Estado de Direito, junto da Opinião Pública, para depois, sem grandes contestações de massas, lhes impôr as suas medidas reformistas, provavelmente, muitas delas lesivas dos seus direitos legalmente adquiridos.
Nesse contexto, MFL, estabeleceu, naquela frase, tão insistentemente explorada, a imagem de que é de duvidosa democracia esta estratégia do actual governo.
E, convenhamos, não tem sido só ela a brandir o verbo contra os atropelos e debilidade democrática desta maioria absoluta, quiçá, ela sim, transpirando arrogância e estilo autoritário.
Mais, o aproveitamento político daquela frase irónica, politicamente evitável para uma candidata, serviu, como já vem sendo hábito, para desviar as atenções do conteúdo substantivo das denúncias constantes da entrevista de Manuela Ferreira Leite.
Aliás, na senda do que, em 11/11, por aqui escrevi:
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Os tiques e os truques são já demasiados por parte do espectro do partido do governo, para que não ressaltem à vista e entendimento dos mais incautos. O desfocar da substância das discussões importantes está a ser táctica igualmente já indisfarçável, tantas vezes tentam mudar as agulhas sempre que sentem o comboio perto da estação certa, valorizando banalidades em desfavor dos assuntos de relevo para a vida nacional, sempre que estes vêm à liça pela voz da oposição......................................................................................................................


Bem queria ter exagerado na apreciação!