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sexta-feira, 10 de abril de 2009

As trombetas do Apocalipse




A primeira soou, estridente e festiva, nas fachadas da Rua do Ouro. Foi o maestro Vítor Constâncio quem agitou a batuta mediática.
A instituição estatal veio a público vangloriar-se da criação duma base de dados que congrega a informação acerca das responsabilidades de crédito dos clientes de bancos e outras instituições financeiras.
Sem que a medida, em si, mereça qualquer desmerecimento, ficámos a saber que aquelas entidades financeiras têm, a partir de agora, informação privilegiada dos débitos de cada cidadão que recorra ao crédito, uma ferramenta útil que o Banco regulador entendeu colocar à sua disposição.
Nada tendo contra tal iniciativa, justificável, até, tendo em conta o desmesurado endividamento de muitas famílias, cabe-nos interrogar quem, em concreto, dela beneficia. Não é difícil concluir que, mais do que os cidadãos devedores, são os próprios bancos, os especuladores financeiros, as Brancas da Era Contemporânea, quem colherá os melhores frutos da base de dados, precavendo-se do crédito malparado.
Seria bem mais afinado o toque desta trombeta se nos trouxesse a melodia nova de que o Banco de Portugal passou, de modo constante e regular, a fiscalizar, a supervisionar, as actividades das instituições de crédito e junto delas indagasse da legalidade da forma de muitos contratos, das taxas e custos abusivos, nas relações comerciais daquelas para com os seus clientes.
E que não permitisse que os bancos possam prosseguir nas suas actividades especulativas e criminosas como aquelas que era seu mister detectar em tempo útil e não detectou, não permitir e permitiu, por omissão.
Mais do que estes, são os contribuintes deste Estado que devem ser protegidos da voracidade dos glutões financeiros e não, preferencialmente, o contrário, o que, convenhamos, não é perseguido com a tão pomposamente anunciada base de dados dos devedores.

A outra trombeta, lúgubre e trágica, soou por terras de Itália, onde as forças da Natureza que o Homem não domina ainda, nem se prevê venha a dominar, provocaram centenas de vítimas e, numa visão apocalíptica, destruíram vidas e cidades.
Fenómenos naturais, a que não estamos, desgraçadamente, imunes, se recuarmos ao fatídico ano de 1755.
Mas, mais do que me deter nos contornos da tragédia transalpina, é a propósito do tão propalado "desaforo" de Berlusconi ao insinuar que os sobreviventes da catástrofe acolhidos em tendas estariam a passar uns dias acampados.
Caiu o Carmo, a trindade e a Torre de Pisa! Caíram-lhe em cima os comentadores de cá, os de lá, toda a plêiade de iluminados sempre atentos a estes sacrilégios verbais. Que o primeiro-ministro italiano é um homem desprovido de sensibilidade ou energúmeno.
E eu, que não nutro qualquer simpatia ou antipatia por tal personagem, não deixei de reflectir, sobretudo depois de saber do auxílio exemplar e dos meios de apoio que o governo italiano colocou, como era seu dever, ao serviço de apoio às vítimas e, mais uma vez, ter a sensação de que há frases que muita gente não entende ou, intencionalmente deturpa.
O meu entendimento foi de que o homem mais não pretendeu que minimizar o sofrimento dos desalojados, tentando confortá-los ou animá-los com uma "tirada" irónica pouco reflectida e menos conseguida.
É aí que está a diferença entre os que "falam" e os que "fazem". Entre os que "prometem" obra e os que apresentam "obra".
E Berlusconi, pelo que se vai sabendo, na reacção a esta tragédia, falou pouco e mal, mas fez, ao disponibilizar todos os meios de protecção à vítima.
Assim fosse por cá, nesta terras do Atlântico, onde os responsáveis até podem vir para as televisões chorar baba e ranho, em teatrais verborreias solidárias, debitando belas frases e eufemismos de circunstância, quando sabemos que, no terreno e na prática, os meios falham e as vítimas sofrem, na maioria das vezes, sem os apoios mínimos aconselháveis para cada situação calamitosa.
Habituámo-nos ao verbo fácil, à candura programada nas escolas da retórica e não passamos, afinal, de um povo de palavras, de fraseologia lírica, em que o que conta é dizer bonito e fazer nada.
Exemplo flagrante é o timoneiro da Região Autónoma da Madeira, que, passe o facto de lhe não apreciar o estilo, sempre que abre a boca, é crucificado. O homem não fala bonito, não tem retórica florida. No entanto, se alguém duvida da sua obra e do seu fazer, que sacrifique as férias no Brasil e passe uns dias na Madeira!
O facto é que estamos na Idade da Propaganda, do DIZER, e tardamos a dar o salto para a do FAZER.
São as trombetas a darem-nos música!

Páscoa Feliz!

Para os que acreditam em Cristo e, sobretudo, no seu exemplo e ensinamentos, mas, também, para os que não têm Fé. Para todos os que vêm mergulhando neste Vouguinha:


Gifs - Flash - Fotos e Videos Para seu Orkut



segunda-feira, 6 de abril de 2009

O jovem Mon Ami


A jovem promessa de Futuro, o eterno Soares, no âmbito da Campanha para as Eleições Europeias, afirmou que Barroso é um rosto do passado.
O seu companheiro Vital leu-lhe o pensamento, ao defender que os socialistas devem ter o seu candidato ao cargo actualmente ocupado por Durão Barroso.
Tudo esclarecido: o nosso jovem Mário prefere que seja outro que não o "cherne" , ainda que estrangeiro.
Provavelmente, e de preferência, um qualquer maçon das terras de Mon Ami Miterrand!
Voilá, les Enfants de La Patrie!

Recriando o Passado...

... nas águas do Rio Douro!

Ninguém mais esclarecido do que o autor das fotos, o João Taborda para nos transportar ao tempo em que os rabelos sulcavam o Douro. Do seu blog http://viajandoevendo.blogspot.com:
"Todos os anos, no dia de S. João (24 de Junho), realiza-se no rio Douro uma regata de barcos rabelo. A "prova" começa na foz e a meta é na ribeira, junto à ponte de D. Luiz I. Os barcos pertencem a empresas produtoras de vinho do Porto, que antigamente os usavam (estes ou outros mais antigos) para transportar pipas de vinho desde as quintas no Douro até às caves em Vila Nova de Gaia. Actualmente estes barcos já não são utilizados para o transporte de vinho, vendo-se muitos deles atracados em Gaia "decorando" a margem e fazendo publicidade às diversas marcas. A regata é muito animada e disputada. Milhares de pessoas juntam-se nas margem para ver passar os barcos. O vento nem sempre ajuda... e esta é a única força que empurra os barcos..."

"

sábado, 4 de abril de 2009

Igrejas de Goa

Não é necessário ser-se católico para recordar os feitos dos portugueses que rasgaram os oceanos em busca de novas terras e com eles levaram a Lingua e a sua Fé. E deixaram marcos históricos que nos orgulham e causam nos actuais habitantes desses Povos a mesma admiração que provocam em nós as ruínas romanas e de outras origens, de povos que nos demandaram no Passado.
Sobretudo, quando os "Ministérios da Cultura" não o são só para uso do nome na estrutura governativa e zelam pela conservação do seu património histórico, como, a crer nas imagens recentes, fazem os indianos e a própria Igreja.
Se poucos motivos temos para nos revermos nos "novos" protagonistas da nossa História Contemporânea, que nos valha a satisfação por sabermos dos feitos dos nossos ancestrais.
Não cura........mas alivia.....

quinta-feira, 2 de abril de 2009

GC 2, Episódio 4, da série da RTP

Por aqui me fico...

... mas vou dizendo.


Como gosto de os ouvir! E como os entendo!

Já o meu avô dizia, na sua sabedoria popular: "nunca devemos beber do vinho, em cujas videiras alguém espalhou moléstia para vender o sulfato da cura"!

domingo, 29 de março de 2009

Meio a sério, meio a brincar...




... se entorna a bilha do leite!

A crer numa noticia do C.M.,queixam-se os produtores que os empresários do ramo lhes baixaram o preço do leite, enquanto aquele produto continua a subir de preço no mercado final.
Nada de estranho, afinal, se já todos sabemos que o custo dos produtos, de modo geral, é inflacionado pela passagem pelos diversos intermediários no seu percurso desde o produtor até ao consumidor final.
Se a Natureza ou outras divindades dotaram as vaquinhas com mamas e leite foi, afinal, para alimentarem os seus filhos, os vitelinhos, e não os filhos de outra gente!...
Agricultores, uni-vos, e, se já há tanta "gente" dos estábulos do poder deste país a mamar em tetas alheias, deixai mamar os bezerros nas tetas que são suas por direito natural!

sábado, 28 de março de 2009

Só São Isaltino lhes pode valer!

Com toda a legitimidade e algum desassombro, o Semanário Regionalista "Notícias de Vouzela", da Região de Lafões, a braços com os problemas de tesouraria comuns à Imprensa regional -e, desgraçadamente, a um grande número de empresas de todos os sectores de actividade - , decidiu alertar partidos políticos que encomendaram publicidade paga naquele órgão, deduzo que nas últimas campanhas eleitorais, nos termos da mensagem inserta na sua última edição:








Bem que São Isaltino poderia, num gesto do seu apregoado espírito solidário, pagar-lhes os "calotes", com um pequeno pedaço das generosas sobras das suas campanhas eleitorais!

sexta-feira, 27 de março de 2009

De carro roubado ou de TGV?



Sabemos que os "gangs" de rua, conseguem saír de carro, por norma roubado, à hora do pequeno almoço, da periferia da capital até ao Norte e Centro do País e regressarem à base, com o ouro roubado nas ourivesarias distantes, à hora do almoço.
Não sou contra as obras e o desenvolvimento estrutural do país, em abstracto, mas interrogo-me das razões que levam os "colarinhos brancos" a insistirem tanto no TGV, quando é sabido que a factura será paga pelos vindouros.
Porque não se deslocam de carro........como os "outros"?....
Alguns devem mesmo deslocar-se, com urgência, num par de patins!

quinta-feira, 26 de março de 2009

O terceiro episódio...

... da 2ª Série da GC, transmitidos pela RTP:

Filtrando "gralhas"....


... ou deformações nos relatos pela subjectividade dos narradores?

Tem-me despertado interesse a leitura dos livros da colecção "Os anos da Guerra Colonial", colocados à venda uma vez por semana com as edições do C.M. Obra da autoria dos ex-capitães Matos Gomes e Aniceto Afonso, que não deixa de, globalmente, ser trabalho historicamente interessante, quanto mais não seja para informar e esclarecer dos contornos duma guerra de anos, que muitos vivemos, enquanto combatentes, filhos, pais, mães, esposas, não deixo de me deparar, aqui e ali, com imprecisões de fácil comprovação, e outras situações a necessitarem de "filtragem".
Refiro, a título de exemplo, a referência inserta na pág. 109 do Livro 5, que transcrevo na parte que interessa:
"... Mas a sua acção mítica fundacional, e tida pela própria organização como a marca do início da luta armada, deu-se na noite do dia seguinte, com o ataque ao posto administrativo do Chai (Cabo Delgado). Chai encontra-se a apenas 10 Km da fronteira da Tanzânia, e um destacamento de 12 guerrilheiros..."
Admitindo que seja "gralha", pois que não sabendo por onde andou Aniceto Afonso, o outro autor, Matos Gomes, comandou uma Companhia de comandos que operou naquela região de Moçambique, sei, e saberá quem se der ao cuidado de consultar uma carta com escala, que, em linha recta, do Chai ao Rio Rovuma, fronteira natural com a Tanzãnia, distam 118 Km.
Outro facto que me suscita muitas dúvidas, porquanto todas as versões que conheço, de ambos os lados do conflito, apontam para uma emboscada em itinerário exterior à Missão e em que o "Land-Rover" do padre Daniel terá sido confundido com a viatura do administrador, e não um ataque directo à dita Missão, como se depreende da leitura da obra: "...assaltaram a missão de Nangololo, assassinando o padre católico holandês Daniel Boormans e ferindo o moçambicano Ernesto Dinagomo."
Bem eu venho defendendo que, sem desvalorizar os seus suportes, tudo o que se ouve e lê necessita de filtragem, para que a a informação seja mais límpida.

quarta-feira, 25 de março de 2009

terça-feira, 24 de março de 2009

Segurança

Decorreu na FIL, de 18 a 21 de Março, a Segurex2009.
Entre expositores civis que se dedicam ao comércio de produtos de higiene e segurança, em todos os seus vectores, as Forças Armadas e de Segurança fizeram-se, também, representar com mostras do seus meios materiais e recursos.
Saudemos o facto. Passe tratar-se duma, legítima, operação de "charme", é de louvar que as forças que têm por missão a segurança de pessoas e bens dêem a conhecer aos cidadãos a quem lhes incumbe servir, os meios postos à sua disposição para esse desiderato.
Vimos por lá sofisticados aparelhos, o que denota algum empenho por parte do Estado em dotar, especialmente no que concerne às Forças de Segurança, as diversas unidades com os meios materiais conducentes a um melhor desempenho das suas missões.
Mas não chega.
Outras vertentes, provavelmente, mais necessárias e urgentes centram-se num maior esforço, que parece não ter sido feito ainda, por parte dos altos responsáveis deste País, no sentido de mobilizar os meios humanos daquelas forças.
Faltam-lhes estímulos e as contrapartidas para quem se dispõe a servir, até ao limite da própria vida. Urge que o Estado, ao invés de os hostilizar, cerceando-lhe direitos, lhes reconheça e valorize os sacrifícios que lhes são exigidos, com salários justos e adequados às suas funções, mas, também, com instalações que lhes dignifiquem as fardas que envergam.
E falta-lhes o primordial: uma legislação que dê resposta à insegurança galopante que a população vai sentindo e sofrendo. Uma legislação que seja humanista e que reconheça os direitos dos criminosos, mas em que nunca, em tempo algum, por mais alienado que seja o legislador, se descurem, ou a estes se sobreponham, os supremos direitos das vítimas.
Só assim, poderemos viver em liberdade num Estado que se proclama democrático e de Direito!
E, porque está num plano análogo, acrescento que os milhões despendidos por todos nós no Parlamento, que no dizer do próprio Presidente da AR, é o mais bem equipado da Europa (ou do Mundo), o foram em meios materiais.
E o que ganhamos nós, cidadãos, com essas dispendiosas melhorias de trabalho se os deputados continuam os mesmos, na mesma modorrice, na mesma incapacidade de redigirem leis necessárias, claras e exequíveis, no mesmo dispêndio de tempo com "malhações" raivosas sem qualquer sumo de utilidade cívica?

segunda-feira, 23 de março de 2009

Guerra Colonial, 2ª Série, 1º Episódio

Foi transmitido o 1º Episódio da 2ª Série, na RTP.
Acabo de ler, também, os três primeiros livros colocados à venda da colecção "Guerra Colonial", da autoria de Matos Gomes e Aniceto Afonso.
Nestes últimos, ou nos vídeos da 1ª série, vi narrados factos de que não tinha, sequer, ouvido falar, passe o facto de ter vivido intensamente o conflito, por dentro e por fora, e conhecer bem os desempenhos quer das NT quer das chamadas tropas irregulares, como milícias e Grupos Especiais, em Moçambique.
Das acções "encapotadas" em territórios vizinhos (para além da ex-Rodésia) nunca vi ou ouvi nada, a não serem algumas escaramuças nas orlas fronteiriças, nem tão pouco me apercebi de qualquer referência nos sitreps e perintreps que, numa fase do meu serviço militar, lia regularmente.
A terem acontecido, foram mesmo muito bem "encapotadas", tanto as acções como as forças que as desenvolveram.
Continuo a pensar que cada um dos ex-combatentes teve a "sua" própria guerra.
E, sobretudo, que são os milicianos quem com mais realismo a podem descrever, considerando que, nos últimos 3/4 anos de luta, e continuo a reportar-me a Moçambique, a maioria dos oficiais do quadro, com excepção de alguns comandantes de unidades especiais, já se acantonavam nas cidades, em órgãos de comando superior, deixando aos primeiros a mata e o ónus da luta, e onde, no terreno, tudo se passava.
O que, de todo, não desvaloriza, no âmbito global, estes documentários, enquanto repositórios históricos, passe a visão subjectiva de comentadores e entrevistados.

domingo, 22 de março de 2009

Um nariz sem memória...

... ou de como a vitimização pode ser ridícula e falaciosa:




Até dá para entender das razões que "os" levam a não gostarem da TVI. Ninguém gosta que lhe retirem a máscara, muito menos num Baile de Carnaval Político, como este a que vamos assistindo num País de Paródia partidária!

sábado, 21 de março de 2009

A falta que fazem as barraquinha de tiro...



... da Feira Popular!

Num espaço entre dois pavilhões da Segurex2009, lá estava estacionada a carreira de tiro móvel da PSP. Um camião gigante que despertava o interesse de novos e idosos, sei lá se saudosos das tradicionais barraquinhas de tiro da "destruída" Feira Popular de Lisboa.
Centenas de visitantes acotovelavam-se em fila de espera para poderem entrar e terem o gozo de disparar uns "tirinhos" que as Relações Públicas daquela força de segurança proporcionavam a quem fizesse uma declaração prévia, por escrito, e se submetesse ao teste de alcoolemia.
Surpreendeu-me aquele furor, sobretudo nos jovens. E lembrei-me, então, a falta que fazem as típicas barracas de tiro, ali a Entrecampos.
E não pude deixar de recuar no tempo, até finais dos anos setenta, quando, acabado de regressar de Moçambique, em visita à Feira com a família, resolvi testar a pontaria.
Sem querer fazer vaidoso alarde das minhas qualidades de atirador, sei que em dez disparos com aquelas espingardas de pressão de ar (que eu conhecia por "mata-pássaros), fiz dez acertos e direito a outras tantas ginjas de prémio que o "barraqueiro" dos tiros foi dispondo em cima do balcão.
Não sendo, ao tempo, particular apreciador daquela bebida, tive que convidar os mirones que observavam para a "bebericagem", não me passando despercebido o esgar de desolação do homem da barraca, que esperava voltar a recarregar a garrafa do produto.
Que falta faz a velhinha Feira Popular!
Que jeito deu a carreira de tiro móvel àqueles jovens, e a alguns adultos, com propensão para carregarem no gatilho......... sei lá se para afugentarem ou abaterem o real fantasma da insegurança que grassa neste cantinho que já foi de paz e tranquilidade....

sexta-feira, 20 de março de 2009

A arma do crime...



.. que em Fevereiro de 1965, nos arredores de Olivença, vitimou Humberto Delgado.
É o revólver original, um Ruby de cano curto, que nos pode ter cerceado duma democracia mais "temporã". Ou não....
Foto de 20/3/2009.

quinta-feira, 19 de março de 2009

No mínimo, estranho!

Nunca tive simpatia por grupelhos extremistas que privilegiam a razão da força e da violência em prejuízo da força da razão.
Por mais nobres que sejam, em abstracto, os desígnios que os movem ou os valores que pretendem preservar ou dedender, em democracia não há lugar para fundamentalismos e recurso a meios ilegítimos para a luta por ideais.
Mário Machado,é a face mais visível dum desses movimentos, acusado de actos pelos quais não posso nutrir qualquer simpatia.
Como, do mesmo modo, não aprovo, nem apoio, outros grupelhos que se manifestam destruindo montras e carros ou ceifando campos de milho. Muito menos pela versão algarvia dos Hells Angels, provado que seja que alguns dos seus elementos recorreram ou praticam agressões, tráfico de droga e armas.
Num Estado de Direito, não há extremismos bons, nem de um vector nem de outro, muito menos quando o seu lema é a violência gratuita.
O que estranho, a serem fidedignas as notícias veiculadas pelos órgãos de comunicação social, é a detenção de Mário Machado, com negação do direito à imediata presença do seu advogado. Mais incrédulo, ainda, se a razão por aqueles trazida a público for a simples suspeita de agressão, sem que a hipotética vítima haja, por si ou interposta pessoa, tão pouco, apresentado queixa pelo facto.
Estranho mais, ainda, quando recordo os assassinos confessos que aguardam, na paz da sua residência, que os tribunais julguem os seus crimes. E, alguns deles, hediondos!....
Estará alguém interessado em fazer de Mário Machado um herói-mártir, o "Che Guevara" da extrema-direita portuguesa?

Ou a "história" da sua detenção, ocorrida ontem, tem outros contornos?
Estranho!

Eles comem tudo...eles comem tudo...


Insaciável é a fome pelo poder absoluto.

Que se cuidem com as congestões!

terça-feira, 17 de março de 2009

A "saga" educativa continua!



Aviso aos leitores: isto é uma anedota, qualquer semelhança com a nossa realidade escolar .....é pura coincidência (?):

O pai do Joãozinho ficou apavorado quando este lhe mostrou o boletim com as notas.
- Na minha época as notas baixas eram punidas com uma boa surra.
- Que bom, pai! E se, amanhã, fizéssemos uma espera ao professor na saída?

domingo, 15 de março de 2009

Honrar os mortos duma Pátria que...

... muitos vivos não têm sabido merecer!

Transcrevo do ForEver Pemba, do meu amigo Jaime Gabão, um tema que me toca...a mim e aos portugueses que ainda não perderam a honra e a memória!:

Soldados Portugueses mortos em África... Portugal promete reabilitar suas sepulturas.

(Imagem original daqui)

Por ter presenciado a realidade e factos tristes da guerra colonial portuguesa dos anos 60/70 em África onde inúmeros amigos e "camaradas de armas" pereceram sob ataques sempre traiçoeiros e covardes de terroristas, e que ficaram enterrados em diversos cemitérios das ex-colónias, venho acompanhando e destacando também neste blogue o descaso, a omissão infame das autoridades portuguesas ao longo do tempo, pois simples e vergonhosamente "esqueceram" seus heróis mortos na guerra colonial.

Entretanto, a sociedade lusa organizada em "grupos" atuantes de ex-combatentes, suas famílias e amigos, hoje participantes da globalização da informação e utilizando-se da penetração da internet junto da opinião pública mundial vêm ampliando protestos e exigindo cuidados, respeito e dignidade para com a memória e honra desses Heróis que não esquecemos enterrados em cemitérios distantes de sua Pátria de origem. O que está trazendo resultados de tal forma que acabo de ler aqui:

""11 de Março de 2009, 14:57 - Moçambique: Portugal vai reabilitar cemitérios militares nos PALOP - CEMGFA.

Portugal reabilitará, em breve, os cemitérios militares em Moçambique, Angola e Guiné-Bissau, no âmbito de um projecto de preservação e valorização de sepulturas de ex-militares portugueses que morreram na guerra colonial.

Em declarações hoje à Lusa, o Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas (CEMGFA) português, Valença Pinto, afirmou que Portugal está a preparar projectos de restauro de cemitérios militares nos Países de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), com destaque para Moçambique, Angola e Guiné-Bissau.

"Estamos agora a preparar projectos para recuperar cemitérios em Moçambique, na Guiné-Bissau e temos entendimentos crescentes com as autoridades angolanas para fazer o mesmo. E temos depois cemitérios mais pequenos e, porventura, mais fáceis de conservar em Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste", disse Valença Pinto.

O CEMGFA, que iniciou terça-feira uma visita de cinco dias a Moçambique, prestou hoje homenagem aos militares portugueses enterrados no cemitério de Lhanguene, em Maputo, e destacou a "preocupação" portuguesa em reabilitar as suas sepulturas.

"Mas estes (cemitérios) de Moçambique, Guiné-Bissau e Angola, que são maiores, por razões históricas que já são conhecidas, justificam a nossa preocupação no respeito pela dádiva desses homens que morreram pela bandeira portuguesa", acrescentou.

O projecto de preservação e valorização dos cemitérios está a cargo das Forças Armadas, através da Liga dos Antigos Combatentes de Portugal, e é descrito como sendo "muito ambicioso".

O CEMGFA afirmou contudo que, por enquanto, o objectivo das Forças Armadas portuguesas restringem-se a conservação dos cemitérios militares e afastou a possibilidade de transladar os corpos dos soldados para Portugal.

"É um processo muito complexo o projecto de remoção e transladação de corpos de portugueses sepultados em cemitérios militares portugueses nos PALOP, pois já passaram 34 anos desde a independência destes Estados africanos", disse.

"Fazer remover estes corpos todos é um projecto muito custoso de ponto de vista financeiro", frisou.

Actualmente, algumas famílias ou pequenas comunidades portuguesas a que esses antigos militares pertenciam têm suportado individualmente os custos de transladação dos restos mortais para Portugal.

"Apesar da comparticipação de Portugal, não há, neste momento, nenhum projecto do Estado nesse sentido (transladação), ao contrário, o projecto de Estado é preservar os locais onde estão esses corpos", disse Valença Pinto.

Além de se deslocar ao cemitério de Lhanguene, o CEMGFA encontrou-se hoje com o seu homólogo moçambicano, Paulino Macaringue, e com o ministro da Defesa moçambicano, Filipe Nyussi, com quem discutiu a cooperação bilateral, considerando-a "muito frutuosa no interesse dos dois países".""
- MMT. - Lusa/SapoNotícias.

sábado, 14 de março de 2009

Natureza, Liberdade!...

Algumas das exclamações da Mariana, a menina da Pena, São Pedro do Sul, que é uma dos oito habitantes daquela aldeia de xisto, na Serra de São Macário.
E de Paz, acrescento eu, para uma outra menina de quem tive a honra de ser amigo e que é recordada, pelos meus filhos, como mais uma irmã que os deixou....e de quem se não esquecem.
Que a Beta continue a repousar em Paz, lá na Pena!...

quinta-feira, 12 de março de 2009

Depois de um ano...

... teria que mudar alguma coisa ao que por aqui escrevi em Fevereiro de 2008 e trago à memória?:

Domingo, 24 de Fevereiro de 2008

Alice no País das Maravilhas...


Nós não vivemos num país em que:
- os ricos são cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres;
- os políticos produzem legislação que os proteja dos seus desmandos e dos seus apaniguados;
- se protegem e apoiam os Bancos, as Sociedades Financeiras, as empresas especulativas, enquanto definham as pequenas e médias empresas produtivas;
- se pagam indemnizações, salários e reformas de luxo a gestores públicos, não poucas vezes acabados de largarem as cadeiras do Poder, enquanto se corta nas míseras pensões de quem trabalhou e produziu toda uma vida;
- se degrada a Educação, a Saúde, a Justiça, a Segurança, enquanto se afrontam os professores, se aviltam os funcionários públicos, se desautorizam as policias e as magistraturas e se encerram as estruturas de suporte àquelas áreas;
- se procura o equilíbrio financeiro à custa dos sacrifícios dos mais fracos.
- se.................................................................................................................................................

Nós vivemos naquele País a que a Alice nos transportou numa nuvem cor-de-rosa, no mesmo dia em que numa qualquer Patagónia os habitantes se alagavam nas sarjetas entupidas de incompetência, se afogavam nas margens de rios atulhados de incúria.
Vivemos no País das Maravilhas. O da Alice!

terça-feira, 10 de março de 2009

Sem peias, nem teias...

A visão de Medina Carreira da situação política, económica e social que vivemos é, como já nos habituou, de alguém que, não se preocupando com o "politicamente correto", provavelmente por não ter ambições políticas próximas ou medo de "perder o tacho", não se limita a fazer especulações retóricas. Ele fundamenta os seus pontos de vista, dá-lhes a substância dos números e dos factos concretos e, sobretudo, não tem medo da VERDADE!
E, habituados que estamos à falta de comentadores isentos, desassombrados e não condicionados, por mim, não perco uma palavra dos pensamentos que exprime, com a coragem de quem não tem rabos de palha, passados, nem se perfila para os ter no futuro!

domingo, 8 de março de 2009

Quem torto nasce...

...tarde ou nunca se endireita!

Ou, na gíria mais infantil......nos átrios das escolas: Magalhães,
perna torta
pai dos cães....


Já chegámos à Madeira?

E eu que não tenho qualquer interesse pessoal naquela Ilha, tipo restaurantes, hotéis ou quejandos, e nem tenho a dita de a conhecer, fiquei agradavelmente surpreendido com a beleza natural daquele pedaço luso, para lá do desenvolvimento estrutural que se pode perceber nas fotos que um familiar me facilitou, após uma curta visita de três dias.
É caso para valorizarmos o slogan "Vá para fora cá dentro"! E com o aperto orçamental que vivemos, não há melhores ocasiões para conhecermos melhor este Portugal a que teimamos em virar costas no Verão.


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sábado, 7 de março de 2009

EÇA, dixit...


«Os políticos e as fraldas devem ser mudados frequentemente e pela mesma razão.»

Cristo não era assim!


Logo pela manhã, fui confrontado por uma notícia que dava conta de que um Bispo brasileiro havia "excomungado" uma menina de nove anos e todos os que participaram ou consentiram no seu aborto, depois de ter engravidado por violação do padrasto!
Isto ultrapassa as raias da compreensão humana!
Estou à vontade para me pronunciar, porque fui, e sou, contra a Lei do Aborto, em cujo referendo votei contra. E fi-lo, e voltaria a faze-lo, em consciência, para além do mais, por entender que a lei já então vigente salvaguardava estas situações anómalas e de conflitos de valores, como violação, malformação do feto, perigo de vida para a mulher, entre outras situações.
Não posso, pois, compreender a atitude da Igreja Católica do Brasil e interrogo-me se Cristo, de quem dizem seguir o exemplo e ensinamentos, decidiria assim num caso desta natureza. Não creio.
Comportamentos deste jaez só desacreditam a Igreja e, não duvido, são contra os desígnios do seu primeiro Pastor!
Estes fundamentalismos anacrónicos desvirtuam a Fé dos Homens!

sexta-feira, 6 de março de 2009

Sem comentários...


... mas com muita estupefacção e alguma revolta, limito-me a transcrever, com a devida vénia, pelo conteúdo, uma carta endereçada por um cidadão vouzelense ao Director do semanário da Região de Lafões "Notícias de Vouzela":

"Durante o dia, na televisão, tenho ouvido falar no Dia do Cancro da Mama, da Próstata, e do útero entre outros.
Acontece que em Janeiro de 2008 fui ao Hospital de Viseu com uma credencial para marcar uma consulta de Urologia.
No dia 27 de Janeiro de 2009, fui ao mesmo Hospital saber se ainda estava demorada a chamada para a consulta. Fui informado pela Senhora que estava na recepção que ainda estavam a chamar doentes de 2006.
Será que a Srª Ministra sabe disto?
Se não sabe, devia ser informada do mesmo, para que se não fizesse tanta propaganda sobre este assunto que me parece ser muito grave.
Cancro da mama, cancro da próstata, cancro do útero, etc...
E ter que se estar dois anos à espera de uma consulta!
Primeiro morre-se e depois é que se é chamado.
Senhora Ministra veja este estado de coisas, e depois chame os Hospitais à atenção para este estado de coisas que não deviam acontecer neste país."

Depois, zangam-se, quando alguém lhes estica o nariz!