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sábado, 13 de outubro de 2007

Lá vai barão...




Hoje, deliberadamente, deixo o leão de Balama, a sinistra personagem do meu Conto Arquivado, a dormitar no fascínio da selva moçambicana, para exteriorizar a síntese das imagens em mim reflectidas do Orçamento de Estado para 2008, prestes a ser discutido em S. Bento.
Sem ser economista ou ter pretensões a analista de Finanças, algo ressalta bem evidente aos olhos leigos de qualquer anónimo e menos avisado contribuinte.
Positivo, arrisco mesmo, louvável, o incentivo proposto, em sede de IRS, para as famílias com filhos a cargo. É uma medida fragmentária, ainda muito insuficiente, mas o passo e o sinal de que urge apoiar a natalidade está dado.
E, porque me sinto com autoridade moral, enquanto responsável por uma família que criou e educou cinco filhos, com escassos ou nenhuns apoios, como sempre defendi, é este o caminho certo para esse desígnio, ao invés de se banalizar, ou fomentar, o aborto, esse abominável "lavar de mãos" que, em consciência, continuo a entender só ser humanamente admissível em casos especiais, já do antecedente tipificados.
Duvidoso, preocupante, é o aumento percentual e relativo a 2007, do orçamento da Presidência do Conselho de Ministros (mais gastos com a imagem e propaganda governamental?), enquanto que o Ministério que tutela a Segurança, uma das áreas mais sensíveis e actuais do nosso País, se vê com um corte nas suas disponibilidades financeiras, quando todos apontavam para o seu reforço. Não é bom augúrio...
Negativo, tal como o já vem sendo nestes últimos anos, é a escalada do IRS para os reformados. Defende o Ministro que se trata de um acto de justiça para com aqueles que ainda trabalham e descontam.
À priori, e em abstracto, todos concordaremos quando os argumentos são colocados nessa perspectiva, só que, não o podemos esquecer, ao longo dos anos, as pensões dos reformados se vão degradando, por força da precariedade do aumento das suas pensões relativamente aos trabalhadores no activo.
Como temos bem presente, julgo que em vigor desde Ferreira Leite, as pensões sofreram um corte efectivo de 10%, o correspondente à quota para a CGA e Segurança Social.
Que o Ministro das Finanças, no mínimo, não invoque justiça e proporcionalidade entre activos e reformados, como pretendeu justificar a medida. Tenha, sim, a coragem de alijar este agravamento, lesivo das bolsas dos que trabalharam uma vida, nas dificuldades com que (todos conhecemos e nem é culpa do Governo) se debate o "cofre" que sustenta os reformados. Mesmo reconhecendo que, na prática, a esmagadora maioria, não chega, pelo curto ciclo de existência que lhe resta no pós-vida activa, a ser ressarcido das quotizações com que contribuiu, no tempo próprio, para esse bolo social.
Que sirva de reflexão os jovens activos e aos vindouros. É o momento certo duma grande opção: confiar na devoradora máquina do Estado para prover da sua "velhice" ou optar, e quanto antes, por ser o próprio trabalhador a gerir, a administrar, a capitalizar, os seus contributos para os tempos da reforma, aplicando, por livre escolha, parte ou a totalidade dessas quotizações obrigatórias?
Quanto ao mais, neste Orçamento, só nos resta "esperar.......para ver"!

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

CONTO ARQUIVADO

(continuação do post anterior)



E a velha fera, bacharel em caça, não se fazia rogada: alta noite, abeirava-se, sorrateiramente, e esgadanhava as unharras na parede frágil da palhota onde se alojavam os catraios da família. E, enquanto os pais dormiam na casa ao lado, a uns escassos dez metros, os miúdos acordavam assustados, gritando pelos "velhos" em desespero. Mas o leão não forçava a entrada. A mãe dos garotos acorria aos gritos aflitivos dos filhos e era recebida pelo leão, de bocarra aberta, que a arrastava, presa nos seus caninos devoradores, para longe, pois o macabro repasto era sempre em recatada sala de micaias, na selva fechada.

Era este o ardiloso estratagema, como já referi, pouco comum no comportamento habitual dos leões, mas utilizado nos casos concretos que o Carlos foi ouvindo com um misto de estupefacção e de medo, enquanto coçava a meia dúzia de pêlos que lhe despontavam no queixo esguio. Que raio! Por aquela é que ele não esperava mesmo! Fora caçador, sim senhores, de pardais descuidados, de melros desaninhados, caídos na sua fisga infantil, mas qualquer cão rafeiro o fazia fugir, hirto de medo, só pelo ladruçar raivoso, quanto mais uma fera daquelas!... Mas não era ele o adjunto do posto, aquela gente não viera até ele procurando ajuda?! Não se sentia no direito de lhes defraudar a expectativa de alívio para os seus males. E lá foi vestindo rija pele de valente, enquanto ia vertendo consoladoras promessas de justiça e vingança nos corações condoídos pela perda de familiares. A seguir, foi vê-lo qual D. Quixote do Índico, a preparar os seus bravos Sanchos e a escolher as armaduras com que havia de partir os dentes ao assassino.

A caçada ia começar....

- Sanica, chama mais dois cipaios. Traz a tua Mauser e vê se o Land-Rover tem gasóleo, e vamos embora!

- Senhor adjunto, o senhor administrador não tem de saber? - lembrou o cabo, em respeitoso reparo.

- Tem, pois é... vai lá dizer-lhe, mas, se estiver a dormir, deixa o recado à senhora ou ao mainato.

Entretanto, o numeroso grupo corria já em direcção ao povoado. Iam dar a nova e preparar toda a gente para a batida. Conhecedores dos caminhos secretos da mata densa, encurtavam muito os cerca de quarenta quilómetros que os separavam do Lúrio.

O Carlos não levava a Mauser, como os cipaios. Não simpatizava com aquela espera-pouco de madeira, muito menos com o seu coice demolidor. Só mais tarde lhe viria a reconhecer vantagem. No momento, preferiu munir-se duma pequena pistola metralhadora FBP que o governo lhe havia distribuído.

Já acomodados no jeep cinzento, o cabo e o adjunto na cabina e os outros dois lá atrás, na caixa larga, passaram pelo barracão do posto, para o abastecimento. Este barracão era um misto de armazém e fábrica de curtumes, um casarão de troncos de umbila e capim seco, onde, por entre tambores de gasóleo e outras mixórdias, se espalhavam as peles que o administrador Barbosa, o grande senhor da terra, ia coleccionando, sabe-se lá se para fazer jus à sua nobre condição de herdeiro do Mouzinho... Brilhantes as de jacaré, pardacentas as de itata, muito valiosas seriam as de leopardo, mas as esteticamente mais sugestivas seriam as das zebras, pelos desenhos artísticos, a duas cores: a escura, dos naturais e a branca, dos europeus.

Num canto do armazém, com as mãos sabujas de unguentos, o negro Magemba, químico de ocasião, amanhava mais uma pele de lince que ia exalando um odor horripilante...

- Não podemos demorar! A esta hora já o Matico com a sua gente está a chegar ao Lúrio...

- Ainda, senhor. Parece agora estão passar Monte Nivato. - resposta pronta do Sanica, com um sorriso sabe-tudo nos lábios gretados pela suruma, enquanto apertava a espingarda contra as cabedulas de caqui branco, domingueiro.

O jipão rosnava forte na picada estreita, cabrito da serra, de pedra em pedra. Estremecia, pulava, parava, acelerava, que o piso de matope esburacado, ondulado, mais parecia o mar encrespado ao largo de Matosinhos. Mas o Land-Rover era uma boa traineira, concebida para sulcar aqueles caminhos improvisados na selva, onde nunca haveriam de chegar os "pidacs" e os "feders" da CEE. Surpreendente era também a resistência daqueles pneus a que nem mossa faziam as constantes mordeduras de troncos salientes, espreitando, disfarçados, nos tufos de capim verde. Uma viagem assim era um verdadeiro exercício físico, ainda mais desgastante que viajar de Aveiro a Viseu na velha automotora da Linha do Vale do Vouga!.....

(continua....)


quinta-feira, 11 de outubro de 2007

CONTO ARQUIVADO

Quinta-Feira! Em passada larga a caminho de mais um fim de semana, vou aproveitar estes dias para um regresso ao passado. É o que procuro fazer, por breves espaços, sempre que o irritante matraquear deste desconsolado presente, me consome a paciência depauperada.
Dou folga às espadeiradas das "Quadraturas do Círculo", esqueço-me do, já enferrujado, bisturi do Tio Marcelo, fecho os olhos ao sorriso alvar das legiões de assessores ministeriais e afasto-me do precipício das minhas miragens do futuro, enquanto este País se vai queimando, em lume brando, no panelão de S. Bento.
Escrevi este "Conto Arquivado" nos anos oitenta, num quadro de memória de factos ocorridos em 1967, naquelas terras africanas, cujo fascínio me viu dar o salto da adolescência descuidada para a preocupada fase adulta. E, enquanto o reescrevo, dou-me conta de como o tempo, voraz e implacável, muda as coisas bem terrenas, sem interferir em sentimentos como a saudade e o prazer:



CONTO ARQUIVADO

Amanheceu depressa aquele Domingo de Outubro, 1967. No Largo do Posto, mal o sol espreitou, bochechudo, por entre os cajueiros da mata, sentavam-se velhos negros, encolhidos nas capulanas de caqui barato. Esperavam, em triste paciência, carpindo para os cipaios madrugadores todas as desventuras da sua noite mal dormida.
- Senhor, tem ali gente com milando grande! - anunciava, solene, no seu jeito sério, o Cabo Sanica, chefe incontestado dos cipaios administrativos da região.
O Carlos, ensonado e digerindo uma agitada sessão de King que se prolongara noite dentro, levantou a esteira da janela baixa e lançou um "já vou" em contrariado bocejo. O Sanica, depois de uns desajeitados e dispensáveis salameleques, foi regressando para junto do grupo.
Carlos era um jovem de 19 anos. Viera, dois anos antes, das serranias beirãs para aquele sertão africano, fascinante e medonho, belo e arrepiante, caixa grande de mistérios que, sonhador, se propusera desvendar. Os negros da área achavam graça àquele "menino branco" idealista, ao seu espírito aventureiro e despreocupado, com quem os mais novos jogavam à bola, qual fruto verde em chão maduro... Mas, talvez por isso, representava, a seus olhos, a rampa de lançamento, através da qual faziam chegar até ao Administrador de Balama a sua nave recheada de lamentações, pedidos e, mal disfarçadas, exigências. Este era já pessoa idosa, vestuta, que eles não ousavam incomodar, quiçá por respeito àquelas barbas majestosas implantadas em sisuda carranca. Era um cabo verdiano letrado, da Ilha de S. Vicente, branco ou crioulo oxigenado, e chefe duma interessante família, pessoas de esmerada educação. Quando o Carlos, ainda esfregando os olhos, foi ao encontro do ajuntamento, por entre um interminável coro de salamas, viu naqueles rostos de ébano um problema maior, bem diferente das choramingas questões a que já o haviam habituado.
- Então o que se passa? O içar da bandeira é só às oito e vocês vieram para aqui tão cedo?! - perguntou, em tom de graça para desenferrujar a língua muda do Régulo Matico, um bondoso preto de carapinha grisalha, figura influente, guia espiritual duma população numerosa e senhor num território tão vasto como o Alentejo. Era admirado pela sua sabedoria e pela verdade com que manifestava os anseios do seu povo, de que era mandatário de linhagem. - Tem garramo muito mau, senhor adjunto, está comer nosso povo! Nosso pede ajuda, está sofrer muito!.... e continuava a explicar-se, o melhor que sabia, no seu português estudado na universidade das suas rugas. Depois, todos foram dando achegas, em alvoroço: que era velho o leão solitário; entrara, noite dentro, numa aldeia do Lúrio e levara a mamana do Jamisse; mas que andava, havia muito tempo, naquela região, pois já havia saciado a sua fome carniceira em dezasseis vítimas...homens, mulheres e crianças....
- Então e só agora vem dizer-nos?!
- Ah, senhor, nosso andava a preparar armadilha, mas aquele garramo não tem bom, não. Ginga, ginga...e não deixa apanhar! - e continuaram todos a descrever as animalescas façanhas da fera.
Pelo que os desventurados negros narravam, não era nada comum o comportamento do bicho. Aqueles métodos manhosos assentavam melhor no leopardo, não no leão, um animal feroz, mas leal na sua agressividade.
Por tradição nativa, antes da imposição dos aldeamentos estratégicos, uma família agrupava-se dispondo em círculo as suas palhotas maticadas, cobertas de capim seco e porta de bambu. Surgiam assim, pela floresta, núcleos habitacionais de quatro, cinco, seis casas, em cujos intervalos brincavam os putos do clã.
Continua em próximo post...

terça-feira, 9 de outubro de 2007

RTP, a velha senhora!

Em estilo telegráfico, as últimas do diferendo RTP/Rodrigues dos Santos:

"RTP: Conselho de Administração anuncia procedimentos legais contra Rodrigues dos Santos. Jornalista acusou-a de passar recados do poder político"

Resta-me aguardar os desenvolvimentos do caso e ficar com a satisfação por saber que nem todos de nós, povo acabrunhado, somos feitos de plasticina...

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Quem não é por mim....

Tudo terá começado quando o Primeiro-Ministro, em reacção ao discurso do P.R. no 5 de Outubro, nos fez saber, de viva voz, que não tem problemas com os professores, mas com os seus sindicatos.
Dúbio e estranho sinal de quem pretende dignificar aqueles profissionais da Educação, como aconselhou o Chefe de Estado!
Se por mais não fosse, Sócrates não se pode esquecer que os sindicalistas são eles também professores e representam os seus associados, uma larga fatia desses profissionais.
Seguindo a sua linha de pensamento, os três mil policias que há dias se manifestaram no Parque das Nações não representaram o descontentamento dos elementos que integram esta força de segurança, no seu todo. Era mais um grupo de comunistas!....
Mas o que me preocupa, seriamente, são os sinais de perigoso autoritarismo que vieram de Montemor-o-Velho, na recepção ao Senhor Engenheiro.
Dois grupos distintos, cada qual pelas suas motivações, o aguardavam: um, aperaltado, de fato e gravata, como convém à adulação, com fartas palmas e convenientes salamaleques; outro, sem traje de cerimónia, exteriorizando toda a sua revolta pelas medidas lesivas de que se sentem vítimas e por repulsa pelas palavras de desconsideração de quem governa.
Mesmo após terem sido despojados de todos os cartazes de protesto, os agentes de autoridade ali presentes, mantiveram-nos, à força, bem distantes do grupo adulador. Não iam armados, para além das armas roucas das suas gargantas, sendo certo que o P.M. tinha a sua segurança pessoal para fazer face a qualquer palmada que lhe acertasse na face sorridente.
Mas....nada de misturas! Quem não era por Sócrates, era contra Sócrates!
E, se estes últimos não batiam palmas nem se prestavam aos tais salamaleques, não tinham o direito de se aproximar de Sua Senhoria!
Dir-me-ão que o ónus dessa medida pouco democrática ficará com o responsável pela manutenção da ordem no local. Cai por terra essa acepção: quem já esqueceu aquele episódio de há anos em que o Marocas, então investido do mais alto cargo da Nação, gritou, de forma agressiva, para os policias que abriam caminho à sua comitiva, ordenando-lhes que se fosse embora?! E eles foram....
Também ficámos a saber que as manifestações de desagrado junto do Senhor Engenheiro são de iniciativa dos comunistas, os tais que quando eu, e muito mais aquele senhor, ainda andava de cueiros, nos diziam "comerem criancinhas ao pequeno almoço". E que eram a causa de todos os males que ocorriam por terras de Santa Maria. Também naqueles tempos, quem não concordasse com o Governo era comunista....
Os comunistas são espantalho para toda a pardalada!
Cabe-me , a mim que nunca alinhei com as propostas de Lenines ou Maos, interrogar: eram só comunistas os manifestantes da Ponte 25 de Abril no caso das portagens e que foi a causa próxima para a deposição de Cavaco Silva? Lembro-me bem que, por entre os manifestantes havia muito pessoal conotado com o partido actualmente no governo, mesmo deputados! Nessa e em muitas manifs, quando o PS não era Governo...
Além do mais - e é isto que o Senhor Engenheiro não vê ou não quer ver -, são só os comunistas os lesados por esta política cerceadora de direitos adquiridos? Das alterações às regras a meio do jogo, com retroactividade só e quando lesa os servidores do Estado e outros trabalhadores? Duma política económica que nos estrangula a bolsa e acelera o desemprego? Duma falência atroz e desumana na Saúde e na Educação? Dum autoritarismo e arrogância que já se não viam desde o tempo do Tio Oliveira?
Pois, não! Mas os culpados são sempre os outros, ou os velhos comunistas ou o defunto de Santa Comba!
Haja bom senso, senhor Primeiro Ministro! Caia em si, arrepie caminho, para bem do povo (em nome de quem governa) e para bem da Democracia, pois, pressinto, que a continuar por esse trilho, não me surpreenderia se em breve o ouvir gritar:
Quem não é pela "Nação" é contra a "Nação"!
Quem não é pelo Governo é comunista!

Há ciclos da nossa História que não gostaríamos de saber reeditados!

domingo, 7 de outubro de 2007

UNIDADE IBÉRICA

Ainda está bem presente aquela senil saramagada da União Ibérica.
É bem verdade que já muitos de nós, naqueles desabafos inconsequentes, fomos deitando da boca para fora que estaríamos melhor se o D. Afonso estivesse quietinho, recatado no calor duma lareira por Guimarães.
Não passam mesmo disso, inócuos ditaites que nos saem por força da situação económica que nos estrangula a magra bolsa, da leviandade trapalhona dos que nos vão (des)governando.
Sobretudo, por sabermos que os nossos vizinhos atravessam um bom momento, por comparação com os restantes países da União Europeia. O poder de compra, a qualidade de vida dos nuestros hermanos não deixa, com toda a naturalidade, de nos causar alguma inveja e amargos de boca. Especialmente, se nos recordarmos que, até aos anos setenta o panorama era o oposto. Nem o Ti Zé, de qualquer tasca de aldeia do Marão a Monchique aceitava as desvalorizadas pesetas.
Eram outros tempos.
Mas, é evidente, como já diria a minha avó "de Espanha nem bom vento, nem bom casamento...". O que me parece, sim, é que, como eu já referi por aqui, a propósito das "equipas mistas anti-ETA", estamos numa fase de aguda subserviência aos desígnios de Espanha, na vertente política e, em especial, na económica. Tudo fruto duma política governativa que duvido nos leve por bons caminhos...

Seja como for: boa vizinhança, sim. Dependência, nunca!

A propósito desta atoarda do Nobel, lembrei-me de que no meu baú tinha um conto com o título "UNIDADE IBÉRICA"!
Escrito em 1975 (ou 76?), inspirado numa realidade da época, mais não foi do que um conto com simbólicas alusões. Hoje, desajustadas.... só no título. Neste ano da Graça de 2007, poderia ser "Unidade Luso-Brasileira" (rsrsrsrsr....).

"Rezava" assim:

UNIDADE IBÉRICA




"Ondas do mar de Vigo


Se viste o meu amigo!


E ai, Deus, se verrá cedo!"




Sonhos antigos enraizados na cepa comum daquela época dos trovadores vagabundos deste pedaço ibérico, desvaneceram-se na onda de nacionalismo feroz dos antigos obreiros da pátria lusa.
Mas, gerações passaram por sobre os túmulos daqueles réis que tanto espetavam a espada nas costas do vizinho, como lhe defendiam a face quando ameaçados por inimigos comuns.
Portugal/Espanha, Espanha/Portugal...
Era este o tema cómico-futurista que desenvolvia em tagarelice amiga com um velho companheiro, após assistirmos a uma sessão legislativa da assembleia mais séria e pacata do velho continente europeu...
Foi então que ele - que não é o Tony Silva -, fez questão de me presentear com "una historiita", um daqueles contos que não ouvíamos todos os dias no "Pão com Manteiga". Uma historieta impregnada de poético animismo.
Era manhã de verão e o sol, internacional, debruçava-se, sorridente, por sobre a raia alcantilada de Caminha, Quintanilha, Badajoz, Ayamonte... Ao longo da secular fronteira, uma manada de vacas secas, magricelas, de sujo pêlo no costado, roía nas urzes ressequidas da nossa banda, sob as vistas do amargurado pastor, com triste flauta, sem melodia nova.
Mas, eis que um dia, no horizonte d'além - no salero do outro lado -, em apelativa miragem, surge um prado verdejante espraiando-se nos seus olhos famintos....e adeus vaquinhas!...
Foram aquelas, outras se seguiram, para contentamento de "nuestros hermanos", apressados em dependurar-lhes dourados chocalhos ao pescoço, com o número - a marca - bem à vista, não fosse o portuga tecê-las.
E, hoje, gordas e luzidias, chocalham pelos mais remotos currais de Espanha, passeiam-se pela fronteira: de cá para lá, de lá para cá, com o estatuto de vacas peninsulares, fonte de fartos lucros para os astutos ganadeiros, pois, como já explicava o livrinho da 4ª classe, as vaquinhas dão-nos o leite, a pele e a carne....
Dos pastores que por cá ficaram, alguns houveram que, saudosos das suas torinas e seus proventos, as seguiram, receosos que o gado tresmalhasse. E por lá andam, também, zurzindo o varapau, que os lobos do outro lado lhes cobiçam a manada.
Preocupado com o devir da nossa economia, ainda arrisquei saber do meu amigo se, com a adesão de Portugal à C.E.E., as manadas regressariam aos campos do País, mas ele limitou-se a encolher os ombros ignorantes: não podia adivinhar o futuro através das espessas nuvens, provocadas por uma depressão cujo epicentro se situa no coração da Europa, mas que afecta, duma forma muito especial e trágica toda a Península Ibérica.
E retomámos a tagarelice inicial, até que, ao deambularmos pela insegura Avenida da Liberdade, à falta de outro motivo, ficámos de nariz no ar, fitando, por muito, muito tempo, o Marquês de Pombal, na sua majestade granítica, solene e decidida!...




sábado, 6 de outubro de 2007

Uma pilula anti-stress

"...quando um homem se põe a pensar...".

É fim de semana. As preocupações, os pensamentos que nos martelam a mente pela crueza da vida, os problemas do quotidiano, as perspectivas pessimistas quanto ao futuro, é bom que fiquem engavetadas....,pelo menos, até Segunda!

O riso é preciso. A boa disposição, também.


Lembrei-me dum dos muitos episódios antigos, verídicos, mas que me induzem bom humor sempre que os recordo.

Este já tem uns bons anos, mas dá-me gozo recordá-lo:




Decorria o Verão de 1982 (?). No passeio adjacente à Esquadra da Policia de Alcântara, a funcionar ali ao lado da Promotora, frente ao Galão, passeavam-se os alfacinhas por ali residentes, gozando um fim de tarde estival de mais um Domingo.
O velho carro patrulha que servia a área rodava, pachorrento, na Rotunda de Alcântara, Avenida de Ceuta fora. Os três policiais iam lançando uns olhares vigilantes pelas escarpas do Casal Ventoso, quando são abordados por um popular que os informa que um burro deambula mais à frente, em plena avenida, perturbando a circulação.
O Diogo, que chefiava a viatura, perante o caricato da situação, já que o animal não seria propriamente um cadastrado e não vislumbrava imediata solução para o caso, procura aconselhar-se junto da Central Rádio do Comando:

- Que faço ao burro?

A resposta ouviu-a, confuso, pelo pequeno emissor/receptor:

- Leve-o para a esquadra e entregue-o ao graduado de serviço!

Dito e feito. Um dos elementos apeia-se da viatura, salta para cima do burrico e, com mansas palmadinhas, vai-o conduzindo pela Rua de Alcântara, em direcção à esquadra.

Por esse tempo, já as novelas brasileiras dominavam a televisão lusa. Sucediam-se os episódios duma telenovela em que era figura proeminente o Perfeito de Sucupira. Dias antes, o Odorico havia decretado o uso de fraldas pelas alimárias.

Enquanto aquele elemento conduzia o jerico, o carro patrulha, na retaguarda, em marcha lenta, tipo escolta, foi seguido por uma pequena multidão, maioritariamente composta por jovens, que não queria perder pitada de cena tão inédita, e que davam àquele quadro um ar festivaleiro.

E foi assim que o burrico, já no Largo do Calvário, após largar dois ou três zurridos nervosos, foi preso a uma acácia, bem junto à sentinela policial, por entre gargalhadas sonoras de passantes e dos frequentadores dos bares da zona, que iam clamando:

- Foi apanhado sem fralda!...

- Vai pagar a multa, que é para não ser burro!...

- O Governo Civil também decretou a cueca!....

E não faltou quem o alimentasse, à fartazana. Até a pastéis de nata teve direito, tão ilustre presidiário!

E era já noite quando o dono, entretanto detectado, depois de um afago amigo no cachaço do bicho, o levou Calçada da Tapada acima.

E lá foram os dois abanando as orelhas, cada qual pelas suas razões....

sexta-feira, 5 de outubro de 2007



MERIDIANO JUDEU (conclusão)



O Kremlin que, com o seu oportunismo, já por demais evidenciado, sempre tentara ganhar a simpatia dos árabes, não teve pejo em oferecer o seu apoio ao Mufti de Jerusalém, o mesmo que havia celebrado uma Aliança com Berlim e o Eixo!...
Mas, o plano da criação do Estado Judaico, aprovado pela Assembleia Geral das Nações Unidas, que mais não teria que ratificar uma situação já com forma concreta, facto consumado, irreversível, não resolveu de per si o problema do Povo mártir.
A Liga Árabe, filha parida dos ingleses, a mesma que hoje acusa os israelitas de opressores, anunciou ameaçadora "carnificina como não se assistia desde as invasões mongóis", não respeitando a deliberação do organismo internacional a quem Hoje clama por justiça e a quem solicita apoio.
Os árabes invadiram Israel, de imediato e em várias frentes, iniciando uma provocação que vêm perseguindo há décadas, cujos desígnios só a inesperada e enérgica reacção dos israelitas tem gorado.
Os exércitos árabes invasores, pavoneando-se na certeza duma vitória fácil, exortam os habitantes árabes a abandonarem a zona de conflito, para, alegadamente, melhor executarem o plano de "esmagamento" dos judeus.
E aqui está o cerne do problema dos refugiados árabes, bandeira que os pró-petróleo agitam e com que justificam o terrorismo (Massacre de Munique, raptos, sabotagens, sequestros de aviões....). Os árabes, mesmo com a força dos seus petro-dólares, não conseguiram resolver o problema dos seus próprios refugiados, nada de palpável tendo feito para melhorar a sua sorte. Os israelitas, com uma terra brava e inóspita nas mãos, debatendo-se não só com os problemas próprios dum jovem estado, gastando grande parte das suas energias na sua própria defesa, souberam acolher e dar vida a 500.000 judeus expulsos dos territórios árabes! Eis a questão, eis a diferença.
Nada tenho contra os árabes, nem incriminá-los foi o objectivo deste escrito, tanto mais que a alguém mais responsável caberão as culpas, mas também não podemos fechar os olhos ao extremado radicalismo de algumas das suas franjas, na cegueira fundamentalista dos que, no seu seio, se recusam ao diálogo e ao respeito pelos acordos que os mais lúcidos vão assinando!

Pessoalmente, sou dos que acreditam que os Judeus não são tão maus como os "pintam"!
E a minha nova vizinha já não chama "judeu" ao meu filho, quando ele pratica uma das suas malandrices.
Pensando bem, de judeus temos todos um pouco, nesta vida difícil que se nos depara a cada passo, aqui e por esses cantos do Mundo onde a alma lusa se viu obrigada a viver, para existir.

Com algumas alterações pontuais, escrevi este texto em 1979. Não sei se, passados todos estes anos, o escreveria com outros cambiantes.

A propósito: fiquei maravilhado com as imagens deste sítio. Voltarei a passar por lá, estou certo. - http://www.cityofdavid.org.il/index.html


MERIDIANO JUDEU (continuação)
E foi no século "das luzes", em 1881, que tiveram lugar na Rússia os primeiros "pogroms" - ataques, pilhagens e massacres nas aldeias de judeus -, perpetrados por multidões impelidas, ou consentidas, pelos próprios governantes. Outros se seguiram, por diversas terras, numa perseguição tão implacável como criminosa.
Insustentável era a vida para gente tão, raivosamente, maltratada.
Algo começou a germinar no humilhado coração do Povo Judeu. Os jovens sentiram o despertar nacional, a esperança alastrou pelos espíritos crentes, em febril ânsia duma pátria e essa só podia ser mesmo a bíblica Palestina.
Surge em França o caso "Dreyfus", oficial judeu do Estado Maior, degredado, e aquela França, bastião maior da justiça e igualdade, grita histericamente pelas ruas: "Morte aos Judeus"!
Theodor Herzl, um jornalista judeu que assiste a mais esta perseguição de seu povo, sente no peito a ferroada dolorosa da discriminação e serve-se, sem esmorecimento, da sua faculdade de brilhante escritor par alertar o Mundo, apresentando o problema judaico à opinião pública internacional. Se não foi Herzl o inventor do sionismo, que teve muitos precursores, coube-lhe o mérito de ser o primeiro a atrair a atenção mundial, discutindo aberta e corajosamente as causas do anti-semitismo.
Já, então, ondas de imigrantes procuravam a Palestina. De novo, a Terra Prometida! Entre eles, nos primeiros anos do séc. XX, ia David Ben Gurion, figura bem conhecida e que viria a ser o primeiro Presidente do Conselho da Nação Judaica.
A Língua hebraica que se não perdeu pelos confins do Mundo, foi o pólo de fusão dos judeus numa sociedade unificada, já que nunca deixara de ser para eles o dialecto da sua civilização, já que as suas orações eram rezadas nesse idioma.
Quando deflagrou a Primeira guerra Mundial, já os judeus haviam criado imensas povoações por terras da Palestina, perante a indiferença e descrença de muitos que, na Europa, julgavam irrealizável o sionismo.
Também aí surgiram as provações. Os otomanos não sucumbiram sem antes se voltarem contra os judeus, qual leão ferido que, em agonia, reúne as últimas energias para dilacerar quem estiver à sua volta. Mas, apesar de todas as contrariedades, era já um facto a fixação dos judeus na Palestina. E a Inglaterra compreendeu-o ao publicar a "declaração Balfour", reconhecendo o sionismo, em 211/1917. Talvez por isso, a Liga das Nações confiou à Grã-Bretanha o mandato daquelas paragens.
A administração britânica não quis, ou não conseguiu, satisfazer as aspirações judaicas: quando se esperava que os beneficiassem, adoptou uma política ambígua, favorecendo os árabes que, de início, se não haviam oposto ao sionismo e que, por força das "engrenagens" estrangeiras, vieram a ser seus inimigos declarados.
Muito longe estava a paz para o Povo Judeu. Na Europa, o sofrimento era constante e culminou no horrendo massacre de seis milhões (mais de metade da actual população portuguesa), de homens, mulheres e crianças, que Hitler, por loucura(?), entendeu não terem direito à vida por razões de descendência ou raça.
E, mesmo após aquele terrível holocausto, a Grã-Bretanha, já então em descarado namoro com os árabes (petróleo e interesses económicos a quanto obrigam!...), recusava aos sobreviventes da chacina nazi a entrada na Palestina.
Só a força inquebrantável dum Povo que procurava um modo de estar no Mundo foi vencendo os obstáculos.
E até a União Soviética, ciosa que era do domínio britânico no Médio Oriente, que temia ver perpetuado, e, talvez, só por isso, votou a favor da criação de Israel.


Continua em próxima postagem...





quinta-feira, 4 de outubro de 2007

MERIDIANO JUDEU

Surpreendeu-me aquele acto de macabros contornos perpetrado por dois garotelhos no cemitério Judeu, em Lisboa.
Tenho por estes grupinhos de "canalha brava", de mentes intoxicadas por doentios ideais(?), o mesmo asco que nutro por aqueles outros, com ideais(?) diversos, mas da mesma estirpe violenta e radical, que partiram montras na Baixa de Lisboa e destruíram o campo de milho no Algarve.
São, como diz o Povo "farinha do mesmo saco". Servem obscuros interesses de quem se aproveita da congénita irreverência juvenil para alimentar movimentos que não querem ou não sabem integrar-se em Sociedades democráticas, de diálogo e tolerância. Não passam de joguetes irresponsáveis acicatados por desviantes sinais de ódio e violência gratuitos.
Algum ódio de estimação que ainda perpassa por larga franja de europeus não é novo. Tem raízes em momentos históricos do Passado que, o bom senso e o Humanismo de Hoje, não podem permitir que se prolongue ou repita.


Sobre os Judeus, já em 6/1/1979 - já lá vão quase 30 anos -, escrevia assim:


MERIDIANO JUDEU

- Ah grande judeu! - Acabava de praticar uma das minhas infantis patifarias e a minha vizinha, velhota, de regresso da missa dominical, não perdoava: - És um grande judeu!...
Muitos anos ainda aquela senhora, madrinha do acaso, me foi chamando pelo nome estranho que, ao tempo, entendia por "mau", "velhaco", ou carícia semelhante.
Judeu! Quanto não se viria, depois, a falar e escrever desses judeus, em grandes títulos, pelos jornais que, aos Domingos, corria a comprar ao Vouguinha, o comboio do meio-dia, conhecido por "Expresso do Vouga", pela módica quantia de oito e dez tostões! Judeus que, para surpresa minha, eram, afinal, Gente!...
Hoje, no emaranhado da teia política de ocasião, entrechocam-se pontos de vista e dividem-se critérios, entre pensamentos de lógica e as mentes da paixão. Uns admiram-nos, outros os odeiam, os primeiros compreendem a sua actuação, os segundos os amaldiçoam.
Mas, a realidade não é coisa falível, nem sujeita às variações sentimentais e os Judeus são mesmo uma Nação, com Povo e território ciosamente seu, lutando para que os deixem viver.
No Mundo contemporâneo, quando tantos, por tantos lugares da Terra, exalam odores demagógicos de bebedeiras de humanismo, igualdade, solidariedade, a que vamos assistindo? Qual o procedimento, a actuação concreta de muitos países que, em verborreias de ódio destilado em alambiques de imundos interesses, acenam a cada passo com o perigo do fantasma nazi que foi, de facto, o inimigo mais atroz dos judeus. Qual é, pois, a sua genuína posição em relação ao problema israelita?
Proclamado em Maio de 1948, o Estado de Israel, onde vive hoje mais de 20% do povo judeu, encarnação e vivência física do sionismo, foi o abrigo, por direito merecido, para o grupo humano mais maltratado da História. E que jamais teria nascido se não fosse a força, a persistência das tradições judaicas, inspiradas na Bíblia. Foi mesmo a herança espiritual dos seus antepassados que permitiu a sobrevivência dum povo retalhado que, por paradoxo, os "guetos", nome originário dos bairros judeus de Veneza do séc. XVI, ajudaram a preservar.
Até alcançarem aquela meta, por que tanto sofreram e lutaram, os judeus tiveram uma vida agitada, desde há muitos séculos, e nem a Revolução Francesa, fonte indiscutível de humanismo e liberdade, conseguiu que fossem cidadãos livres, de plenos direitos, em todas as nações.
Lançados pela velha Europa, após a expulsão dos árabes da península Ibérica, onde também se acolhiam, foram vivendo ao sabor dos caprichos de monarcas e chefes de estado que raro os encaravam com benevolência.
Assim, mesmo após a sua proclamada emancipação, coincidente com a revolução Industrial, na maioria dos países onde se radicaram, a Europa de Leste, ainda czarista, manteve os guetos, não permitindo o livre acesso dos judeus às cidades mais importantes.


Continua em próxima postagem.....




sábado, 29 de setembro de 2007

Santanice...



Reconhecendo a força indutora das televisões junto do Grande Público, quais janelas abertas para o Mundo, considerando mesmo que uma pequena fatia da sua programação se reveste de cariz de serviço público, penso não termos motivos para nos espelharmos na sua difusa transparência e periclitante credibilidade.
Dão-nos continuados sinais duma incessante procura de imediatismo bacoco e descarado, com evidentes preocupações economicistas (imitando o Governo?), com o objectivo primeiro da manutenção das quotas de publicidade, que as sustenta. E é o futebol, são os escândalos do quotidiano, noveladas e quejandos, as meninas dos seus cofres.
E, mesmo o esbanjador canal público, por todos nós custeado, parece não estar imune a essa voracidade das audiências: bem nos lembramos, com natural apreensão, do inesperado corte da imposição de condecorações por parte do Presidente da República às figuras que, de algum modo, mereciam destaque e reconhecimento públicos.
Também não deixamos de nos interrogar se é positivo o seu contributo para a formação dos jovens, quando, em horário nobre - o chamado "tempo da família" -, assistimos a programas de violência gratuita e com outros conteúdos de discutível qualidade, quando os espectadores-alvo são, afinal, crianças a "gatinharem" a sua própria personalidade.
Somos, na actualidade, com sobejas razões, um Povo crítico dos políticos, no seu todo: pelo seu desempenho e dúbios comportamentos. A consciência nacional, que, espero, ainda se não desvaneceu de todo, não deixará de os julgar, e vem julgando, no tempo certo e local próprios.
Gostemos ou não de Santana Lopes, não pode um canal televisivo ser o braço justiceiro da franja da Sociedade que não morre de amores por este político, ex-Primeiro Ministro!
E interromper uma entrevista para que o convidaram para meterem no "embrulho" a chegada dum treinador de futebol (por mais milhões de libras que traga no alforge), por mais prestígio desportivo que haja granjeado por terras da Rainha, é, no mínimo, uma humilhação para o convidado, para além da falta de respeito por aquele e pelos espectadores que acompanhavam a entrevista!
Haja coerência e dignidade. Não façam de nós, enquanto espectadores, um rebanho de pacóvios, sempre dispostos a comer fardos de futebóis, noveladas e outra palha congénere, que nos servem, a granel, no estábulo do ecran!....
Assim, por mais controverso que seja este político, só me resta aplaudir a atitude de Santana Lopes. O seu gesto foi de coragem, de pundonor. Acredito na tese de que todo o indivíduo é sujeito de defeitos e qualidades...
Que, ao menos, sirva de exemplo ( e vergonha) para todos aqueles que passam o tempo a babujar à porta das televisões, ávidos de uma entrevistinha que, por qualquer modo, os promova, e que se sujeitam à humilhação dos desmandos omnipotentes destes figurões da Imagem!

E que sirva para uma reflexão profunda por parte dos responsáveis dos principais canais televisivos deste País!



domingo, 23 de setembro de 2007

Tão perto....e tão longe....

Para além do rincão das Beiras, de Viseu a Lafões, e pouco mais, o Portugal que havia conhecido, quando, no final de 1974, "retornei" ao país onde nascera, era o dos mapas escolares, o dos rios e vias férreas, forçosamente decorados até à exaustão.
Tivera a dita de, 27 anos antes, haver despertado para a vida numa região de Natureza bela, em zona em que o vale abraça a serra, no verde serpentear do Vouga em ambiente rústico de sonho e algum romantismo.
A partir dos anos oitenta, condicionalismos de ordem profissional levaram-me a percorrer o País de lés a lés, do Minho ao Algarve, do Mar à Montanha. Por várias vezes, tive o ensejo de conhecer cidades, vilas, aldeias e os mais remotos lugarejos.
Tanto como as paisagens que me iam surpreendendo, conheci gentes da nossa gente e o palpitar do seu viver e sentir. Percebi.lhes a simbiose.
Conheci Portugal! Como se houvesse realizado uma nova Descoberta. Descobri um Portugal belo, com uma Natureza de contrastes e encantos próprios, descobri um segmento humano muito diversificado, mas pujante de vida.
Não sabem, em especial, muitos dos urbanos empedernidos, da riqueza ambiental que lhes fica tão perto, à distância dum correr de cortinas por abrir!
Não sabem aqueles esbanjadores de milhares -muitos, até se endividam -, que estão buscando bem longe o que poderiam desfrutar bem perto; que procuram desvendar o desconhecido em terras longínquas, sem ousarem conhecer o mistério e fascínio das terras que são suas.
Sem lamechice nacionalista, nem olhar o próprio umbigo. É a visão pragmática de quem teve a dita de conhecer os recantos do nosso Portugal e parte da premissa que a maioria dos seus compatriotas vira a última página do seu calendário de vida conhecendo a Tailândia, Cuba, Serra Nevada, Punta Cana........Marbella....., sem que houvesse conhecido os lugares belos, bem à sua porta, no seu próprio quintal.

Como os lamento!

Alguns "testemunhos" por mim editados.....para memória futura:

e outros que postei no SAPO: (Clique, p.f)

http://videos.sapo.pt/vqsrFytvw9APeEublnif

http://videos.sapo.pt/uRpGIqBzSD9CQINZjR00

http://videos.sapo.pt/ckEz2vZdwkfsMSTKkCFk

http://videos.sapo.pt/QryjptAEWjDazZu0PTWG

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Desporto de Milhões......




Não posso negá-lo: continuo a gostar de Futebol.
Passada que foi a breve prática dessa modalidade, não se esmoreceu o entusiasmo por esse desporto. Dá-me gozo assistir a um bom desafio, apreciar as boas jogadas.
A milionária demissão do Mourinho, as constantes "transfegas" de craques de um emblema para outro, com os milhões à mistura, levou-me tomar consciência, por comparação, de quão diferente é o Futebol de Hoje.
Onde está aquele amor à camisola, aquele vibrar de alma pela equipa de cada um? Aquele prazer único de jogar por jogar, por gostar, por sentir um apetite de entranhas por competir?
E recordo aqueles tempos idos dos anos sessenta em que os Domingos, nas aldeias, vilas ou cidades, eram, para além do dia da Missa (rsrsrsr...), o sagrado dever da "Bola".
E foi nesse cogitar que me lembrei destas fotos e, dum modo muito especial, de toda aquela rapaziada com que partilhei, todos de forma gratuita mas apaixonada, vibrantes futeboladas de Domingo!
Lá está a equipa estudantil do Colégio de Vouzela e a, sempre aguerrida, equipa de "Os Vouzelenses".
Era no tempo do Desporto pelo desporto, ainda longe desta Era do Desporto pelos Milhões..........

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Lourenço Marques/Maputo


Nas minhas digressões regulares pelos "sítios" da Net, relembrei Lourenço Marques, actual Maputo, capital de Moçambique.
O pedaço da minha vida naquela terra enraizou-se, sobretudo, no Norte, por terras macuas. Considerei-me sempre um "bicho do mato". Circunstancialismos de ordem profissional - a vida de saltimbanco administrativo -, e familiar (os meu pais viviam numa vila do interior de Cabo delgado), não me permitiram uma vivência substancial nas principais cidades, passe o facto de ser Porto Amélia a minha "base de apoio", sempre que me era possível ou necessário.
A capital conhecia-a em Agosto de 1968, quando uma guia de marcha me fez seguir de Balama (na zona de Montepuez), para a cidadela militar de Boane.
Durante cerca de 10 meses, os fins de semana eram, inevitavelmente, passados naquela cidade grande, que recordo muito limpa, arejada, de amplas artérias, desenhada a compasso e esquadro. Para essa agradável contestação, o tempo foi mais do que suficiente.
Mas não é só na policromia das acácias, na beleza estética das avenidas e do betão, que um homem se completa. E, mais por culpa da minha juventude introvertida, talvez, ensimesmada, do que pela sociedade local, nunca cheguei a integrar-me, a conhecer, na vertente humana, aquela índica cidade!
Para além de meia dúzia de companheiros, como eu deslocados naquela urbe, para cumprimento de obrigações militares e um ou outro ali residente, que partilhavam os convívios informais dos dias de descanso, não conheci mais ninguém, nem, que soubesse, por lá tinha familiares .
Assim, numa exploração quase solitária, ia passando as horas pelo Nacional, pelo Piri-Piri, numas geladinhas no Continental ou no Bar do Negresco, nuns passeios por Malhangalene, numas "voltas" pela Baixa, nuns filmes no Manuel Rodrigues (o César Rodrigues era meu companheiro em Boane), num "piscar de olho" às bifas na Costa do Sol....e nos inevitáveis raids pela Rua do Nosso Major.....no Pinguim, Luso e quejandos......e umas "visitas à Pensão Nini (?) lá para as bandas da Polana, quando haviam mais umas notas na depauperada bolsa!......
Passe a lacuna da deficiente integração no ambiente social laurentino, bem me sentiria se por ali continuasse até ao fim da minha "guerra", que de lá me devolveu ao Norte, não de calção e camisa "casca de ovo" (rsrsrsr..) como ali chegara quase um ano antes, mas espartilhado num camuflado fruta-cores!
E é porque também ali fui feliz e aquela bela cidade ficou a fazer parte do meu roteiro de vida, que sinto prazer em revisitá-la através destes "clips", com imagens daqueles tempos e mais recentes:

http://videos.sapo.pt/NgGiCEyssSD96YM3JM9A

e:




domingo, 16 de setembro de 2007

De recurso em recurso, até........

Não é pacífica a doutrina do novo Código de Processo Penal, já em vigor. Para gláudio dos que fazem modo de vida "tramar" os outros (p. ex. o Cabo Costa e o brasileiro Marcos, assassino dos polícias na Amadora...) e desespero das vítimas, a nova Lei Penal surge envolta em incandescente polémica. Disso fazem eco comentadores e especialistas na área da Justiça.

Área da Justiça que tem ao leme um supremo Ministro, um dos "heróis" desertores da "Guerra Colonial" que, vendo partir os camaradas, preferiu colocar o próprio "canastro" a salvo. O que até poderá nada significar para a questão ora aqui aflorada....

O nosso P.R. aconselha-nos a "esperar para ver". Por mim, e a crer nas pérolas legislativas com que as ostras do Poder nos vão presenteando nos últimos tempos, nada de bom auguro. Pior, espero, sem o desejar, o agravamento da propalada inoperância dos nossos Tribunais - de que os magistrados serão os menos culpados -, e prevejo, e a curto prazo, nova escalada na insegurança dos descrentes cidadãos deste nosso cantinho.

Mas que ninguém se surpreenda ou escandalize: alguém tem interesse e retirará vantagens do descalabro da segurança e da justiça nesta nau que, há muito, perdeu a bússola.

E é essa a preocupação primeira de quem entende não ser forçoso "esperar para ver" diminuídos os direitos das vítimas e vê-los transferidos para os que vivem sugando a Sociedade em que não se querem ou não se sabem integrar.

Hoje é Domingo. Melhor será pensar em algo que me dê prazer. E tenho mais dois"clip", com imagens relaxantes.....e que evocam saudosos momentos:


quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Seu Scolari!




Scolari:
Não me considero peça do pote que promove treinadores e atletas de bestiais a bestas, anjo ou diabo que eleve heróis ao Éden do desporto, tal como, do mesmo modo e celeridade, os queima na pira de Belzebu.
Nem, tão pouco, o vou questionar pelas opções polémicas na formação do grupo que defrontou a Sérvia. Por mais evidente que seja a discutível inclusão de Deco no plantel, numa fase em que, manifestamente, este valoroso jogador passa por mau momento de forma; talvez dos piores que já lhe vimos.
A mensagem que lhe trago, em bandeja triste a acabrunhada, é a de que o Mister tem por missão seleccionar e treinar os atletas que representam o nosso País, com e sem bola. E se, ontem, estes o desmereceram em campo com a redondinha, foi o senhor quem o não respeitou fora das quatro linhas, sem ela!
Nada, nem o seu, provavelmente, justo azedume com o Merk do apito, lhe desculpará o agressivo gesto de que foi, para mau exemplo dos seus jogadores e vergonha de todos nós, protagonista, no final do encontro.
Nós, que ainda, com tristeza, recordamos Saltilho, nos lembramos do balneário destruído, do cartão surripiado ao árbitro, e vamos perdoando, pela atenuante juventude dos nossos atletas, bem dispensamos irracionais atitudes e o péssimo exemplo dum Mister de quem, pela sua maturidade e pergaminhos de campeão do Mundo, era suposto e legítimo esperar outro comportamento.
Deixe-nos com o amargo de boca dum resultado que bem poderia ser melhor, mas poupe-nos à vergonha de "insurras" com mau perder!....

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

O dilema do polícia











Foi em 2005 que um agente da P.S.P. em perseguição de um cadastrado em fuga, o atingiu mortalmente, numa artéria de Lisboa.
Paulo Frade, o polícia, para além do processo crime que corre os seus trâmites nas instâncias judiciais competentes para conhecer do caso, encontra-se suspenso das suas funções, por 240 dias, sem direito a qualquer vencimento, por decisão da sua hierarquia.
O M.A.I., pelo braço da sua Inspecção-Geral, teria ido mesmo mais longe ao propor a sua aposentação compulsiva, o que - do mal o menos - a Direcção da P.S.P. não terá acatado.
Todos sabemos que os Códigos são frios, com normas concretas e impessoais, que balizam as medidas e actos dos polícias. É notório que, à luz dos Regulamentos, no concreto, o agente se terá excedido no zelo, no decorrer das medidas tendentes à detenção do cadastrado em fuga. Também não deixa de se ter em conta que os policiais não podem nem devem andar para aí aos tiros sempre que são obrigados a fazer cumprir as leis.
Porém, não deixaremos de especular que este agente não estaria nestes múltiplos apertos se não se empenhasse com tanto afinco em capturar o "bandido". Deixá-lo fugir, rumo à liberdade a que tinha perdido o direito, era, na perspectiva dos seus interesses, bem menos arriscado e muito mais cómodo...
Ainda todos nos recordamos do caso de Évora e de outros com contornos semelhantes.
E é aqui que se depara um dilema com repercussões preocupantes e perigosas: que empenho terão os agentes policiais em perseguir criminosos, proteger, na hora, as nossas vidas e bens, quando, à partida, sabem que, no momento em que se decidem fazê-lo, se estão a expor a desfechos como o ora tratado e tantos outros com iguais contornos?!
Mas. o que mais me confunde, na medida em que não é consentâneo com o meu espectro de justiça, é que o agente seja castigado ou punido (e a suspensão sem direito a vencimento é-o!), internamente, por órgãos sob a tutela do Governo, quando ainda está sujeito e aguarda o veredicto dos Tribunais, a quem cabe, em exclusivo, a administração da justiça.
Não me parece que o facto de haver (ou não!) excedido as medidas entendidas por necessárias e suficientes para a detenção do cadastrado, baleando-o, o configure como um perigo público, impossibilitado de continuar o exercício da sua função policial.



Afinal, qual deles é o polícia........qual deles é o bandido?








terça-feira, 11 de setembro de 2007

NAMPULA (MOÇAMBIQUE)

Bem gostaria de ter conhecido melhor Nampula, A Linda! Poucas vezes estive por lá e por breves dias.
Após o eclodir da guerra, nos anos sessenta, como centro nevrálgico do comando militar, com todas as estruturas materiais e humanas que uma máquina de guerra implicava, Nampula expandiu-se para lá do centro comercial e agrícola que já era e fez juz ao estatuto que lhe estava implícito: a capital do Norte de Moçambique.
Era, além do mais, o esmagador destino dos jovens estudantes de Cabo Delgado que pretendiam prosseguir os estudos para lá do patamar que lhes era oferecido na então Porto Amélia e era um entreposto comercial de relevo, procurado pelos comerciantes estabelecidos mais a norte.
Centro de um distrito com considerável área, diversificada, dispunha duma vasta costa litoral, onde pontuavam praias acolhedoras e portos de mar, com a histórica Ilha como farol.

Mais do que as palavras, valem as imagens que aqui ficam, como um abraço virtual àquelas terras de Gente Macua. À distância dum clic:

Também no SAPO, em:

NAMPULA - MO...

NAMPULA, A L...

e no YouTube, em:

http://br.youtube.com/watch?v=-8nEDaoUBNA

http://br.youtube.com/watch?v=T4WnepJKc8g





Ponderação?









O caso Maddie continua a dominar as primeiras páginas dos matutinos e a abrir os serviços informativos da Rádio e TV. Não há volta a dar-lhes!... Mantenho a desconfiança que nutro pelos ingleses, enquanto nação ciosa dos seus pergaminhos, sempre disponível para fazer alarde duma convicta assunção de povo escolhido, de padrão exemplar. Mas não confundamos: não é justo, nem humano que - por mera desforra mental -passemos a acusar, desde já, os pais de Maddie seja do que for, para além de os censurar pelo abandono dos filhos, enquanto jantavam. Por mais evidentes indícios que nos sejam dados a conhecer, eles continuam inocentes. Não me revejo em julgamentos populares, tantas vezes, alicerçados em factos de duvidosa consistência, não poucas vezes fabricados ou empolados por órgãos de comunicação com o objectivo de aumentarem as tiragens ou nível de audiências. Juridicamente, a condição de arguido, não é a de acusado, nem, muito menos, a de condenado. Prefiro confiar na Justiça e aguardar o seu veredicto que, por mais entorpecida ou falível que nos vá parecendo, é sempre bem mais fiável e justa do que apriorísticas condenações de rua.



O que espero bem é que este mediático caso não sirva de manto a processos que, enquanto cidadãos atentos deste país que é o nosso, se vão arrastando no tempo....e caindo, dispersos no esquecimento. Casos como os da Casa Pia, Apito Dourado e outros de elevada acuidade na nossa escala de valores, tão ou mais preocupantes que este da infortunada Maddie, não podem ser ofuscados por este de tanta luminosidade....ou artifical brilho!....



domingo, 9 de setembro de 2007

DOMINGO SOMBRIO


Mais um Domingo!
Para além do dia farrusco, do empate da Selecção, temos o folhetim "Madeleine", que seria novelesco, não estivesse envolvida a vida duma criança.
Foi raptada; foi morta, por malvadez, por acidente..... Não faltam palpites e orações de sapiência criminal, dos jornalistas, dos comentadores, do tuga anónimo.....mais preocupado em saber do destino da criança (talvez, menos por solidariedade e mais por mórbida curiosidade...), do que em saber do destino que está a tomar este país.
O caso Maddie, o futebol e outros ícones a que ajoelhamos de mente aberta, são uma dádiva, em forma de rendada cortina, para as medidas políticas, as manobras impopulares da área da governação. Não é Fátima, Futebol e Fado. É Maddie, Futebol e Vira de Viana!...
Do Caso Madeleine o que ressalta? Para mim, para além da genuína preocupação pelo que lhe possa ter acontecido, escancara-se, no decorrer dos dias que se seguiram ao drama, em montra bem transparente, aquele velho complexo de superioridade dos súbditos de Sua Majestade.
Nem me vou deter a justificar. Todos os que foram acompanhando a Imprensa e a opinião pública do Reino Unido, sabem do que estou a escrever.
Nada é novo, não me surpreende o térreo patamar em que os ingleses colocam Portugal na pirâmide de que se ufanam ocupar o vértice.
Numa perspectiva histórica, sempre desconfiei da propalada amizade, selada por Tratados, a que só nós nos sentimos obrigados. Eram tempos movediços para as aspirações britânicas e convinha-lhes o nosso apoio - e subserviência -, para melhor resolverem os seus antagonismos viscerais com o Reino de Espanha.
Nas questões de fundo, no cerne das verdadeiras alianças, fomos um par menor, atraiçoado sempre que os seus interesses e desígnios assim ditassem. Ou alguém se esquece do Mapa Cor de Rosa?
Fomos maltratados nestes meses do caso Maddie! Já hoje, ao visualizar o regresso dos pais da criança a Inglaterra e o aparato da chegada, com protecção policial, tratamento diferenciado e proteccionista, a ideia que perpassou foi de que o casal e as duas gémeas acabavam de ser resgatadas do Burundi, do Corno de África ou de outra zona de selvajaria ou guerra!
É assim que somos olhados pela mais antiga democracia do Mundo, lá do alto das suas predestinadas ilhas.....
Do que, convenhamos e deixo bem vincado, a infortunada Maddie nenhuma culpa terá.....